Lollapalooza primeiro dia: Foo Fighters e a consagração da falta de bandas fortes no mainstream

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São Paulo, Califórnia.

Em pleno Jockey Clube, bem próximo a locais tão maravilhosamente insossos como a Berrini ou o Shopping Cidade Jardim, rolou a maior agremiação hipster brasileira que a Urban Outfitters orgulhosamente vem patrocinando desde quando começaram a enviar roupas para o nosso país. Pois é, amigos, Coachella está longe dos nossos sonhos, então bora se fantasiar para o Lollapalooza. Mas neste post não vou falar das milhares de calças de cós alto, botinhas, regatas e chapéus que fizeram o look de 98% das meninas que lotaram o domingo e sim da música do dia inaugural do festival. Na verdade, venho fazer uma triste constatação sobre o cenário musical atual. E ele começa pelo fato de que O Rappa ainda faz o mesmo show que eu ouvi no João Rock de 2003, em Ribeirão Preto.

Enfim, o grande problema que O Rappa traz pode ser tranquilamente passado para a banda mais esperada da primeira noite, o Foo Fighters: a previsibilidade. As duas bandas hoje podem ser consideradas ícones do rock mainstream (uma em escala nacional, a outra, mundial) e as duas parecem que simplesmente já cansaram de inovar. E olha que eu acredito que Falcão e cia. ainda podem trazer mais novidades de seu caldeirão do que o ex-baterista do Nirvana, mas não quero bater nesta ~~~polêmica~~~ tecla. Por isso, vou me atentar a banda de Dave Grohl.

O Foo Fighters fez um show, para os fãs, memorável, louco, ensandecido, melhor momento da vida. Tudo bem. O que eu questiono aqui não é o que os fãs acharam, mas o fato de haver tantos fãs para uma banda tão média como o Foo Fighters. Praticamente não havia espaço para se mexer em todo o Jockey Clube. Todo mundo gritava aos berros canções como “Times Like These”, “Best of You”, “All My Life”, “Monkey Wrench” e outras que são incrivelmente parecidas, mas possuem nomes diferentes. O Foo Fighters, pela falta de originalidade completa, inclusive no show, na qual 70% das músicas seguiram um esquema com interlúdio imenso jogando pra galera, ficando fácil dessa maneira tocar por duas horas e meia, seria uma banda de segundo escalão que não deveria ser tão cultuada quanto é. Apenas uma banda massa de ouvir no rádio, com um rock bem normal, sem nada a oferecer de novo para ninguém. É tão normal que a gente quase esquece que é rock, no sentido mais amplo do que o gênero deveria ser. O problema é que parece estar faltando bandas de primeiro escalão, que será melhor abordado no próximo post, sobre o segundo dia do festival.

Na verdade, a sensação que passa é que o Foo Fighters são a representação musical das ruas da Vila Madalena: nomes levemente diferentes, com casas bem parecidas para confundir todo mundo. Você anda lá e sabe direitinho aonde está, aonde vai cair e o que vai encontrar, mas o bar que você queria está na Purpurina e não na Girassol, mas tudo bem. O Foo Fighters é essa banda “tudo bem”, ícone de um conformismo de uma geração que acha que é tudo, menos conformista. E fica fácil notar que não é bem por aí, vide camisetas do Borussia Dortmund, do New England Patriots e bonés do Miami Dolphins a estampar o uniforme de muitos meninos.

E, com isso, fechamos a análise em torno do fraco primeiro dia. Amanhã não perca: a consagração do paumolismo musical ou porque é fácil entender o rebuliço mundial em torno do Skrillex, minha resenha sobre o segundo dia do Lollapalooza.

Hasta!

3 Responses to “Lollapalooza primeiro dia: Foo Fighters e a consagração da falta de bandas fortes no mainstream”


  1. 1 minicritico 09/04/2012 às 6:41 PM

    Concordo com absolutamente tudo. Mas a camisa do Borussia Dortmund é daora, Nico.

  2. 2 minicritico 09/04/2012 às 6:42 PM

    Anseio pela resenha do segundo dia. E Foo Fighters, com suas letras água com açúcar, prova bem o quão médio é o mundo atual. Abs

  3. 3 Pedro Vada 09/04/2012 às 7:47 PM

    bom. penso que vc não ta 100% errado. mas, ao mesmo tempo que vc fala do conformismo geral da nação para uma banda “tudo bem” é o mesmo acontece com o “critiquismo” geral da nação. não dá para esperar de um festival gigantesco, envolvendo patrocinadores e milhares de pessoas, um rock underground com grandes inovações. aliás o rock é de fato underground, fora do sistema. o lolla assim como qualquer outro festival grande infelizmente obedece as regras, e acho bom. pq enquanto for assim, o rock continua sendo underground. abs.


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