Sanfona, Gaita, Acordeão.

cartazdigital423

Os autênticos Festejos Juninos são uma das coisas que mais sinto falta do meu Sergipe aqui em São Paulo. As esteriotipadas quermesses dos colégios paulistanos não alcançam (nem pleiteiam alcançar, é bem verdade) a relevância cultural que esse eventos tem para o povo do Nordeste. Esperados em pé de igualdade com o carnaval, a temporada que começa com o dia de Santo Antônio e acaba na noite de São Pedro tem no forró e em suas muitas derivações a trilha para umas das mais autênticas festas interioranos do Brasil. (Sim, paulista adorador de forró universitário, FORRÓ originalmente não é praieiro, não é coisa de Itaúnas, Caraíva ou qualquer outra praia nordestina pseudo-deserta lotada de burguesinho em Reveillon. É essencialmente agrestino, sertanejo.)

É curioso, porém, crer que o magnetismo que tal ritmo proporciona é baseado em um instrumento complexo, criado por chineses, disseminado por eslavos e que pelas idas e vindas migratórias acabou caindo na mão de um pernambucano, de nome Luiz Gonzaga que numa cidadezinha chamada Exú o transformou em abre-alas para (perdoando o clichê) o Brasil conhecer alguns muitos Brasis desconhecidos até então.

Certa feita em um papo com alguns amigos concluimos como o Acordeão para os acadêmicos, Sanfona para nordestinos e Gaita para os gaúchos se transformou no principal elo musical (e porque não cultural) entre os interiores do Brasil. Prova disso pode ser encontrada em cenários mais respeitados pela crítica musical, como as inúmeras parcerias entre gaiteiros como Renato Borghetti e sanfoneiros como Dominguinhos, ou até em manifestações mais populares como a facilidade como hits de forró eletrônico se transformam em hits sertanejos, vide Jorge e Mateus e sua versão de Pode Chorar do Aviões do Forró, ou até Leilão que era sucesso com a gloriosa Gatinha Manhosa e virou o carro-chefe do Cezar Menotti e Fabiano.

E é com propósito de homenagear o instrumento mais conectado as tradições do Brasil que surgiu o documentário “Milagre de Santa Luzia” que estreará nos cinemas dia 28 de agosto. Nele, Domiguinhos, aprendiz do Mestre Lua,  percorre o interior do país apresentando universos culturais diversos ligado ao acordeão (Forró, Sertanejo e Vanerão obviamente marcam presença). Simplesmente imperdível. Uma viagem que só o trailer já me emocionou:

Direção de Sérgio Roizenblitt.

Ps: Parei com posts sobre documentários.

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