Muita calma nessa hora.


“Chegou a hora desse Obama bronzeado mostrar seu valor”, assim Arnaldo Jabor sintetizou aquilo que espera da nova gestão presidencial norte-americana. Faço minhas, com humildade é claro, as palavras dele. Nessas minhas divagações neste 5 de novembro fico dividido na euforia do encantamento que a vitória do negão gente boa tem e em um sentimento de dúvida e até contestação quanto ao oba-oba criado pela mídia, especialmente blogs e sites. Sem conhecer plataformas e projetos, muitos destes se apegam exclusivamente ao ícone criado nestes 9 meses de campanha de proporções nunca vistas antes, multiplicando comentários esperançosos e transparecendo uma expectativa de mudança no mundo nunca vista antes. Parece que o fim da era Bush e a chegada de Obama significa realmente a transição da água pro vinho. Será mesmo?

Bill Clinton, disse durante as primárias democratas: “Você pode fazer a campanha em verso, mas governar em prosa”. A primeira parte foi muito bem realizada por Obama, já a segunda são outros 500. A popularidade que ele goza acaba no primeiro erro cometido em sua administração. Ele já no poder não poderá usar o escudo de sua raça para contornar críticas, como seus seguidores fizeram na sua campanha. Afinal, qualquer cidadão que questionasse sua inexperiência em cargos executivos era metralhado com o argumento “você fala assim porque ele é negro”. Colocando em miúdos, votou no McCain, então é racista e retrogrado. Essa dicotomia entre bem e mal, muito bem arquitetada pela genial estrutura de comunicação da campanha do democrata camuflou as inconstâncias de Barack Obama nos debates e até as dúvidas criadas em seu projeto de governo.

Tirando a retirada imediata, mas gradual das tropas do Iraque e o investimento em novas formas de energia, os carro-chefes do seu plano de governo, dos quais sou completamente a favor (eu e mais umas 6 bilhões de pessoas), outros pontos importantes não tem uma resposta concreta do novo presidente. A solução da crise mundial? Não sabe. E como lidar com os investimentos em armas nucleares do Irã? Também não. E contornar a eterna crise no Oriente Médio? Xiiii.

Até uma comparação superficial das plataformas dele com as de McCain mostram que não havia tanta diferença. Para essa Brasila querida, a vitória do Obama pode até ser pior, devido os aumentos das barreiras protecionistas típicas dos Democratas. Ou seja, venceu a esperança, o novo ídolo, o cara que tem Twitter, o político com a cara da nova juventude americana, seja ela nerd com Iphone ou patricinha de Beverly Hills fã do Lost. Salva de Palmas. Mas vamo com calma. Em 2001, Bush, apesar de nunca ter tido sua imagem associada a mudança, nadava sobre mares de popularidade recordes e 7 anos depois sai pela porta dos fundos da Casa Branca.

Não custa nada lembrar, foram poucos os escritores que conseguiram serem bons ao mesmo tempo no verso e na prosa.

Aquele esperançoso Abraço.

6 Responses to “Muita calma nessa hora.”


  1. 1 Pedro 05/11/2008 às 2:31 PM

    Ta aí a redenção de um povo reprimido, que aposta na volta por cima na forma de Barack King Arantes do Nascimento, espero que não use o escudo citado e seja forte e supere mais barreiras, grande post cajuzera abraços!!!

  2. 2 Cafeína 05/11/2008 às 4:55 PM

    E não é que eu li e recomendei?!

    De uma olhada no tubérculo!

    Aquele abraço!

  3. 3 Eduardo 05/11/2008 às 5:40 PM

    O povo nos EUA está carente e com o orgulho ferido. Por isso, qualquer coisa que sugerisse uma grande mudança -por exemplo um presidente negro- seria extremamente bem vindo.

    Mas com certeza, todos estes esperanços norte-americanos serão os primeiros a condenar o presidente negro caso algo não saia como eles esperam.

    Belo post Caju.

    abs

  4. 4 minicritico 05/11/2008 às 6:39 PM

    Guardadas as devidas proporções, a campanha de Obama lembra a de Lula em 89.
    Vê-se todos os artistas se engajando, comprando a idéia, manifestando seu apoio a um sentimento geral (será natural ou artificial?) de mudança. Mas há também muitas diferenças.
    Em 89, Lula já tinha história pra contar até pra seus bisnetos: havia promovido uma histórica greve em São Bernardo que parou 1 milhão de trabalhadores, tinha sido preso por isso e, de quebra, fundou um partido e afundou outro. Embora ambos teoricamente representem os ‘sem voz’, Obama – ao contrário do petista – contou com significativo apoio da mídia. Veículos como o NY Times se manifestaram expressamente favoráveis a sua candidatura, ao passo que, em 89, Roberto Marinho e seus asseclas editavam escandalosamente um debate em prol do “Caçador de marajás”.
    Outra diferença significativa é a conjuntura político-social que o país atravessa. O Brasil, em 89, vivia seu período de redemocratização, mesmo tendo Sarney no poder. A inflação alcançava 85% ao mês, o muro de Berlim caía e a URSS capengava. O mundo festejava o fim da secular ‘ameaça comunista’, embora o Brasil tivesse ainda mais razões pra festejar o fim de sua ditadura direitista. Nos EUA de 2008, o povo começa a pagar a conta da ganância de alguns (ninguém fala em ‘ameaça capitalista’, certo?) e a perceber que a crise deve ser longa. A ‘democracia’ americana sempre pareceu o caminho e, num novo século, nada melhor que dar a chance a alguém que parece novo, que cheira como novo, que é pintado como novo, não?
    A mim, resta aguardar. Mas me parece que o ‘american lifestyle’ é maior, mais forte e mais poderoso que os ideais de qualquer candidato que apareça pelas terras ianques. Mesmo que ele tenha propostas que considero fundamentais (especialmente as citadas: em relação à política de guerra e ao meio-ambiente). A pergunta é: como, em meio a um furacão desses, sustentar uma economia que – como todos sabem – sempre foi de guerra, mesmo pregando a paz?

  5. 5 minicritico 05/11/2008 às 6:42 PM

    Outra diferença relevante para constatarmos a diferença que 19 anos e um oceano de distância fazem, e que esqueci de citar: enquanto um era apoiado pelo autor de “Construção”, o outro é apoiado pelo autor de “Don’t Phunk With My Heart”.

  6. 6 Fernando Spuri 06/11/2008 às 6:37 PM

    Putz, essa euforia é meio assustadora…Esse talvez seja o líder mais midiático desde…Hitler?

    Também adorei ue ele tenha sido eleito, principalmente pela mensagem de tolerância e mudança, mas depositar TODAS as esperanças nele, talvez seja perigoso.


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