Surto (pequeno conto)

Espero um dia tornar-me um escritor. Ainda escrevo mal, muito mal, mas sou ambicioso e espero que consiga viver só da escrita até os 40 anos. Visualizo igual aprendi com “O Segredo”. Sei que vou cnseguir. Mas, para conseguir ser escritor, não basta só visualizar e ficar parado. Tem que, basicamente, escrever. Por isso, usarei este espaço hoje para mostrar um pequeno conto que fiz. Por favor, critiquem (tanto bem, quanto mal). Aí vai o conto. Puramente ficcional. Só uso a primeira pessoa para tentar me aproximar com o público.

“Surtei. Aquela buzina já estava enchendo meu saco. Saí do carro em direção aquele Ka branco. “O pinto vai até o ovo”, pensei. A dona desta merda de carro começou a se desesperar. “Como alguém para o carro neste cruzamento?”, pensou. O cruzamento era entre a Avenida Brasil e a Nove de Julho. Bem movimentado. Ela começou a gritar. Sua voz era esganiçada, “voz de taquara rachada”, meu pai diria. Surtei mais ainda com aquela Dolly Parton, sem os peitões, desesperada. Cheguei até o carro. Abri a porta. Peguei a mulher pela camisa – cara de secretaria executiva que o chefe não come porque é feia – e a joguei para fora do carro. “Dois erros”, pensei, “ela não usava cinto de segurança e ela fumava”. Odeio fumantes. Isolei-a do ovo ambulante. Choquei-a forçosamente. Pintinho não nasce prematuro. Secretaria mal-amada morre prematuro. Comecei a chutar sua face. Revolta da platéia de carros que buzinava desesperadamente, mas não fazia nada. “Bando de viados, depois falam que o mundo precisa ser mudado e não fazem nada para isso”, gritei. Um merda em um Fusion preto pegou seu celular e começou a discar sem jeito para algum lugar. Encarei-o. Ele desligou o celular. Continuei a chutar a mulher. Seu rosto já estava bem desfigurado, então comecei a chutar suas costelas. Ela merecia estar quebrada. “Vaso ruim não quebra”, pensei. Então ela era muito boa. Seus ossos pareciam pipocas de microondas estourando no saquinho. Tudo foi muito rápido, minutos. Na hora que ela parou de espasmar, parei de chutar. “Não chuto em morto”, pensei. Voltei tranquilamente para o meu carro. Um motoboy tentou me atropelar no caminho. Não conseguiu e foi embora. Roguei uma praga para ele. Praga minha pega. Vai se fuder ainda hoje. Com certeza vai sofrer um acidente na Marginal Tietê, vai desviar de um caminhão, cair no rio e quebrar o pescoço em mais um detrito não-identificado deste rio. Voltei para o carro tranquilamente. Ninguém se mexia. Dei partida e segui com a minha vida. “Quero ver meu desenho no Datena, hoje”, pensei.
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Cheguei em casa. Era fim de tarde. Liguei a televisão. O Datena ainda não tinha começado. Fui até a cozinha e preparei um leite com Nescau. Bem gelado. Tomei em uma golada só, para descer gelando e dar aquele embrulho no estômago. Voltei para a sala. Fiquei parado de frente para a televisão. O Datena estava para começar. “Vamos ver se serei bem desenhado”, pensei, “Aposto que não”. Perdi a aposta. Era a minha cara. “Crime brutal em importante cruzamento choca São Paulo”, dizia a televisão. Sensacionalismo barato. Isso acontece todo dia. A diferença é que não são em lugares ‘importantes’. Na tela, meu retrato-falado. Meu retrato-copiado. Muito parecido. O babaca do Fusion preto dá um depoimento. “Ele apontou a arma para mim. Era um animal raivoso”. Outros concordam. Não uso arma. Não preciso de arma. Nunca tinha matado. Nunca mais vou matar. Como disse, surtei.”

Hasta!

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