Os anseios políticos de um povo que ama futebol

O futebol é um esporte mágico. Une milhões de pessoas, de todas as crenças e raças, pela paixão ao time que torcem – ou que odeiem. Faz com que todo este teatro do absurdo que é o jogo faça sentido. Elimina o nacionalismo e orgulho barato de seu país, pois o amor pelo esporte faz com que os “loucos por futebol” – como eu – tenha um time por país, uma seleção por continente. Enfin, é uma maravilha que, sem a violência e a selvageria que ocorre certas vezes, seria a fórmula da paz mundial. A Colômbia está em pé de guerra com o Equador? Uma peladinha resolveria toda a situação. Os jogadores descontariam a raiva durante o jogo, depois se abraçariam e iam beber uma chicha e ouvir uma cúmbia. Mas, infelizmente, quando há muita paixão numa coisa, as atitudes tomadas geralmente não são as mais racionais.

Sexta-feira na Espanha, o ETA, grupo terrorista ligada às causas da independência do país basco, assassinou Isaías Carrasco, um vereador socialista da cidade de Mondragón, cidade do território basco. Esse crime revoltou o país e a LFP, que organiza o Campeonato Espanhol, recomendou que todas as equipes fizessem minuto de silêncio nos jogos que iriam ocorrer neste fim de semana. Em um gesto inesperado, o Athletic de Bilbao, um dos três times que nunca caiu de divisão na Espanha – os outros dois são Barcelona e Real Madrid -, time da região basca e, digamos, a “seleção” deste território, condenou o ato do ETA e resolveu fazer um minuto de silêncio inédito em seu jogo domingo, contra o Valladolid.

Até aí, tudo certo e maravilhoso. O futebol ia cumprir a função de estabilizador político, como ocorreu quando o Santos de Pelé foi fazer uma excursão em Moçambique e, durante o período que lá estiveram, não houve conflito. Mas, ao fazer a homenagem ao vereador, a torcida do Athletic de Bilbao ficou revoltada e não respeitou tal ato, sendo que este 1 minuto se tornou apenas 8 segundos, pois o barulho dos torcedores foi tamanho que o juiz da partida resolveu iniciar o jogo e esquecer este gesto.

Eu respeito a causa basca. Assim como respeito a causa palestina, a curda, a tibetana e a de todos os povos que desejam se separar dos países que os mantêm sob um regime contra suas próprias vontades. Por um planeta com mais seleções de futebol e mais alegria. Quem quer se libertar, tem que ser livre, catso. Porém, acho que estas causas têm que ser resolvidas diplomaticamente e por meios pacíficos, sem a necessidade de guerras ou atos terroristas como o ocorrido na última sexta-feira.

Para mim, são com gestos como o assassinato do vereador e a falta de respeito da torcida que impossibilitam ainda mais que as pessoas dêem a devida atenção e respeito àquilo que estas pessoas tanto anseiam: a liberdade. E que, com isso, a peladinha ocorra em um lugar que o futebol é paixão nacional – junto com a tourada – e que não haja mais momentos vexatórios como este.

Hasta!

Obs.: acredito que o Caju falará sobre a FIFI Wild Cup, que é um exemplo de como tudo seria melhor se o país que buscasse independência, conseguisse.

2 Responses to “Os anseios políticos de um povo que ama futebol”


  1. 1 André Chaves 10/03/2008 às 7:17 PM

    poww irado o texto nico! vc é redator eh? heheheh e muito massa isso de o meradoxa está .com :D
    parabéns!
    andre chaves

  2. 2 Michel Rassy 10/03/2008 às 7:57 PM

    Eu acho que a verdadeira paz se dará a partir do momento que qualquer idéia separatista seja sumariamente descartada e a consciência de que o ser humano é um só esteja completamente disceminada.


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