Enjoy The Week #08

Como esse blog anda mais parado que meu perfil no Orkut, vou continuar com a minha saga de montar mixtapes que alguns fiéis amigos surdos ainda ouvem. Esta semana, inclusive, eu baixei uma porrada de música pra tentar fazer uma listinha que fosse bacana o suficiente, mas nao obtive aquele sucesso, a não ser com um grupo: Edward Sharpe & The Magnetic Zeros.

Sou tão verão da Califórnia em 68. Cê não tem idéia, bixo.

Caraca, esses hippongas me conquistaram de jeito. Com um estilo totalmente Woodstock e letras fofinhas para fazer qualquer menina dizer “Ohh!”, a banda formada pelo casal Alex e Jade ainda vai dar muito o que falar. O álbum de estréia deles, lançado o ano passado, é inteiro bom e vale a pena ter na coleção. Na ETW dessa semana coloquei duas músicas, as geniais “40 day dream” e “Home”.

Além dos hippies acima, na lista desta semana temos a eterna nessa brasila Marina & the Diamonds, que gravou recentemente uma versão acústica fodástica de seu belo single “Hollywood”; o supergrupo indie Monsters of Folk, formado por feras como Jim James (My Morning Jacket) e Conor Oberst (Bright Eyes); os americanos (mas canadenses (?) por opção) do Metric, que eu nunca tinha dado muita bola, mas que fizeram um último álbum bem legal; os geniais brasileiros do Black Drawing Chalks; uma salsa que me cativou muito quando eu ouvi num programa da Oi e mais uma caralhada de coisas espetaculosas.

Enfim, espero que gostem da lista. Ela foi feita com carinho. É só clicar na imagem (se alguém souber o nome do artista dessa obra me avise nos comentários), rapeize.

01) Yeah Yeah Yeahs – Heads Will Roll

02) Edward Sharpe & The Magnetic Zeros – 40 Day Dream

03) Vampire Weekend – Horchata

04) Madcon – Beggin

05) Marina & The Diamonds – Hollywood (acústica)

06) Franz Ferdinand – No You Girls

07) Cold War Kids – Audience of One

08) Metric – Gimme Sympathy

09) Edward Sharpe & The Magnetic Zeros – Home

10) Monsters of Folk – The Right Place

11) The Walkmen – The Rat

12) Papi Brandao Y Sus Ejecutivos – Bilongo

13) Black Drawing Chalks – Leaving Home

Hasta!

Obs1.: se as listas tiverem descambando para um lado que vocês não gostam, por favor, avisem.

Obs2.: a música do Metric é mais uma homenagem a minha eterna guru musical @thaizaakemi.

Meia Hora nosso de cada dia – 23/01/10

Isso é vanguarda.

Enjoy The Week #07

Olha, confesso que ainda estou com vergonha de ser a primeira pessoa a escrever algo após a maravilha criada pelo Caju. E é exatamente por causa disso que eu já vou avisando: este post não terá um quinto de sua genialidade, garbo e charme nordestino. Mas alguém tem que ficar com o trabalho sujo de dar continuidade.

A última  ETW deste ano é especial por uma série de motivos: é a retomada das mixtapes (desde o especial do Planeta Terra que não faço mais nenhuma), é a mais extensa já feita até hoje, é a última do ano e, por fim, tem as músicas que eu mais ouvi em 2009 (tirando Animal Collective e que não se encontram em nenhuma outra ETW). Na verdade, eu esqueci de colocar uma música nessa lista e bateu maior preguiça de ter que refazer tudo de novo. Fica pra próxima.

Dessa vez eu não vou comentar música por música, mas vale lembrar que nesta lista tem bastante XX (seja cantando músicas próprias ou fazendo remix), Yeasayer (que, na minha humilde opinião, lançou o melhor single do ano, a grudenta e explosiva Ambling Alp, que abre esta lista), a rechonchuda Beth Ditto com o single “Heavy Cross”, do último álbum do Gossip, a sombria – e maravilhosa – “If I Had a Heart”, do Fever Ray (trabalho solo da cantora do duo proposta do The Knife), a mistura de rap e rock que o Black Keys criou com o projeto BlakRoc e por aí vai.

Para baixar esta lista, é só clicar na imagem abaixo, como sempre.

01) Yeasayer – Ambling Alp

02) Gossip – Heavy Cross

03) XX – Crystalised

04) The Raveonettes – Bang!

05) The Gay Blades – O Shot

06) Paper Route – Carousel

07) XX – Shelter

08) BlakRoc – Ain’t Nothing Like You (feat. Mos Def & Jim Jones)

09) TV on the Radio – Staring at the Sun

10) Little Boots – Remedy

11) The New Pornographers – Hey, Snow White

12) Pullovers – Tudo que eu sempre sonhei

13) Yeasayer – Tightrope

14) Florence + The Machine – You’ve Got the Love (XX remix)

15) Dead Man’s Bones – My Body is a Zombie for You

16) Plastiscines – Bitch

17) Golden Filter – Thunderbird

18) The Shins – Australia

19) Art Brut – Pump up the Volume

20) Fever Ray – If I Had a Heart

Hasta!

Os 20 maiores one hit wonders brasileiros da década

Fiquei com uma certa inveja branca da boa lista que nosso Lúcio Ribeiro caipira, Nico, fez dos melhores discos do ano. Por isso, contactei Hygino e meu amigo Pedro Deluna, essa terra roxa irrigada de conhecimentos nostálgicos musicais, para me ajudarem na difícil, porém deliciosa, tarefa de listar os 20 maiores One Hit Wonders (artistas de um hit só) brasileiros desta década que acabará junto com os fogos de Copacabana do próximo dia 31. Alguns que inclusive já haviam passado pela falecida coluna Relembrando deste blog. O resultado final é este abaixo, vem na minha que é feriado:

20- Mary’s Band – Happy Birthday: É isso que dá passar a adolescência ouvindo Basket Case. Espero que esses 3 quando olharem pra essa música hoje tenham vergonha do que fizeram ou, no mínimo, não se orgulhem de ter passado a juventude indo no Hangar.

19- Guentaê – Sapatilha 37: Esses tentaram fazer sucesso quando os criadores do forró universitário já estavam fazendo doutorado. Por não se diferenciarem muito das 813 bandas que fazem “temporada” no Canto da Ema, ainda tem que conviver com aquela velha pergunta “pô, mas essa música não é do Falamansa?”.

18- Mariana Kupfer – Looking for Love: O Brasil agradece que uma das maiores patricinhas do país parou por aqui com sua carreira musical. São por essas que eu tiro o chapéu pra Patrícia de Sabrit que não faz nada da vida, mas pelo menos não tenta convencer geral com seu inglês “perfeito”de 3 meses de intercâmbio na Nova Zelândia.

17- Vinícius e Andinho – Corpo Nu: Podia muito bem ser a 20ª, mas uma música que possui uma frase como “Sua mãe bolada, querendo me matar” merecia um pouco mais. Brilhante.

16- Twister – 40 Graus: Sander e sua trupe anteciparam essa onda desintoxicação que se perpetuou pelas boybands do mundo. O rapaz que atrás do seu óculos Rayban te via em todas as manhãs ficou preso após traficar bala em baladas paulistanas e anos depois acabou virando palestrante desses de auto-ajuda. De qualquer forma, sua canção fébril marcou os muitos Disks Mtvs de 2001.

15- Tchakabum – Tesouro de Pirata (Olha a Onda): Kleber Bam Bam pode se orgulhar de 3 coisas na vida; ter sido o vencedor do primeiro BBB, ter criado a Maria Eugênia (e chorado em rede nacional por ela) e ter enfiado na cabeça da população brasileira essa swingueira mezzo baiana, mezzo carioca. Destaque para aquela coisa meio complete a música à lá “Fazer amor de Madrugada, em cima da cama em baixo da escada” naquele trecho “Molhou a barriguinha, barriguda, molhou o seu pézinho, que chulé“, uma excelente maneira de conquistar um público-alvo digno de tamanha malemolência, as crianças.

14- Braga Boys – Bomba: Uma explosão de mau gosto perpetuada no ano de 2000. E óh que esse que vos fala não renega um Psirico.

13- Johnathan da Nova Geração – Eu Sou o Johnathan da Nova Geração: 2001 foi uma odisséia no funk. Que o diga Bonde do Tigrão, Vanessinha Pikachu dentre muitos outros que congestionaram programas de auditório como Superpop e Sabadaço na época. Mas, ao menos pra mim, nada foi tão marcante quanto o molequinho filho da Mãe Loira e Pai Moreno da Furacão 2000 falando “dance Potranca” com a mesma naturalidade que discutia a evolução do Charmander para o Charizard. Hoje o menino cresceu e está pegando Lanai, a filha funkeira de Kadu Moliterno. Fica aí a dúvida se ele anda a tratando que nem o sogrão tratava a sogra.

12- Dogão – Dogão é Mau: Rick Bonadio nos presenteou com esse cachorro putão cantando um rap wanna be niggar. Cada um tem o Gorillaz que merece.

11- SNZ e Richard Lugo – Nothing’s Gonna Change My Love for You: Vocês se chamam Sarah Sheeva, Nãna Shara e Zabelê, sua mãe abriu uma igreja evangélica que mistura Jesus com OVNIS e seus lábios fazem botox ter inveja. Preciso falar algo mais? Quanto a Richard Lugo, quem é você no cenário musical norte-americano? Quer dizer, quem é você em Avaré? Um abraço.

10- Mário Veloso – Eu Faço Tudo Por Você: Poucos caras conseguem resumir um estilo de vida. Mario Veloso pode se gabar que é um deles. Manja aquele cara que estudou no Porto, passou em publicidade na FAAP, ganhou um Audi aos 18, tem um ármario baseado em calças Diesel, polos Sérgio K, camisetas Osklen e Abercrombie e compra aquele champagne na Pink Elephant que quando chega na mesa para a balada? Pode ter certeza que ele tem um pouco de Mário Veloso no seu coração. By the way, o rapagão já pegou adivinhem quem? A patricinha que queria ser cantora, mas só emplacou uma canção cantada em inglês de quem fez intercâmbio por 3 meses na Nova Zelândia. Parabéns a todos os envolvidos.

9- Dallas Company – Clima de Rodeio: Quero mandar um abraço para todo mundo que em alguma festinha de 15 anos já foi da galera de cowboy, ou da galera de peão e que mesmo sem ter uma beca invocada ou um pingente no chapéu, gosta de rodeio e bate na palma da mão.

8- Kaleidoscopio – Tem que Valer: Fruto daquela vibe “drum’n'bass com Bossa Nova”, coqueluche em todas as rodinhas de “críticos musicais” em 2003, Kaleidoscopio servia muito bem pra completar aquele cd de “músicas lounge” do Luciano Huck, ou como trilha para aquelas imagens da Praia do Pepê, com o carinha dando giro no bodyboarding, somadas àquelas luzes propostas que rolavam no meio da Malhação. Que Deus os tenham.

7- Rapazolla – Coração: Nordestinos como eu sabem muito bem que Coração, muito antes de Tomate e sua Rapazolla levarem pro axé, já tava estourada com Aviões do Forró, Cavaleiros do Forró e Dorgival Dantas. Mas, pra toda essa rapaziada paulistana criada a leite com pêra, ovomaltino, mega drive e que no terceiro ano foi pra Porto Seguro, Coração foi a trilha desses momentos etílicos e micareteiros na Passarela do Álcool e ponto.

6- Cogumelo Plutão – Esperando na Janela: “Mas Caju, isso aqui não é 1999 não?” Pior que não. Essa banda liderada por este protótipo de Renato Russo emplacou esta coisa nos nossos ouvidos em 2000, graças a Manoel Carlos e sua Laços de Família, que, se não bastasse, já tinha empurrado a força na nossa memória Lara Fabian e sua Love By Grace.

5- Motirô (Cabal) – Senhorita: Eu vou falar uma coisa que você vai ler e ficar com ela o resto do dia fuzilando a sua cabeça – HEY SENHORITA VOCÊ É A ÚNICA DA LISTA, QUANDO TE VI DANÇAR NA PISTA, VOCÊ FOI A MAIS BONITA.

4- Br’oz – Prometida: Boyband, coreografia putona, pegada musical latina, onomatopéia (pararêêêê), gritinhos do galã (Não se esqueça que eu não te esquecereeeeeeeiiiii) e refrão grudento. Ta aí a fórmula para uma música virar um clássico pop (ou não). Sim Sim Sim.

3- Edu Ribeiro – Me Namora: O nome do cd do cidadão já dizia muito “Roots Reggae Classics e outras canções”, pois bem, Me Namora é um poço de rimas ricas como namora/chora, agora/namora e sim/mim, compostas por um cara que só queria da VAZÃO AOS SENTIMENTOS (!!!).

2- Mc Créu – Créu: Você, seu publicitáriozinho fajuto de planejamento que acha que cria “conceito” e antecipa “tendência”, aprenda com esse gênio que ser coolhunter no Brasil é criar as mulheres-fruta e virar hit do verão.

1- Luka – Tô Nem Aí: Essa música tocou tanto, mais tanto, mais tanto, que teve neguinho fazendo estudo sobre o motivo de tamanha capacidade de grude da canção. A explicação é mais ou menos a seguinte; quando Luka soltava o agudo do refrão (aííí), ela entoava uma tal nota conhecida pelos produtores musicais norte-americanos como a “nota de um milhão de dólares”, que é original de uma forma de vocal típica da região dos Alpes chamada yodel (isso não é brincadeira, veja aqui). Essa nota tem maior facilidade de memorização que, auxiliados pela exaustiva repetição que as rádios jovens fizeram da canção, a tornou hit do verão de 2003. Mas, quem teria as manhas de criar uma canção com tamanha força? Só um gênio do porte de Latino.

Qualquer sugestão para atualizações é muito bem vinda. Aquele abraço.

Os melhores álbuns de 2009

Fim de ano chegando e milhões de sites começam a fazer listas e mais listas com o que achou de mais relevante neste ano: os melhores eletrônicos, as maiores tendências fashion, os carros do ano, …enfim, tudo vira motivo para se fazer uma lista. Eu, que não sou criativo diferente, resolvi também montar uma dos melhores álbuns do ano, que supera a de qualquer sitezinho musical proposta e paunocu (apesar de uma incrível semelhança na escolha de álbuns com estes sites, prefiro criticá-los). Para baixar estes álbuns, é só clicar nas capas deles. Vamos a ela:

10) Phrazes for the young – Julian Casablancas*

Esse é o pior do ano? Não. É o melhor? Também não. Ele merece estar nesta lista? Talvez. É uma questão pontual, mas também é estrutural.

Músicas recomendadas: 11th Dimension e Left & Right in the Dark.

* link em Torrent, porque eu não consegui achar em nenhum site. Se acharem, mandem nos comentários, por favor.

09) Paranoid Cocoon – Cotton Jones

Foi paixão a primeira ouvida. Tava lá, no começo do ano, procurando alguma banda nova e me veio o single Original Bones, de um tal de Cotton Jones. Gostei do nome da música e do cantor e resolvi verificar. Música sensacional, cheio de reverberações e uma letra irônica do caralho. Comecei a procurar o álbum e, depois de muito procurar, consegui achar. O álbum inteiro é genial, com sons de pássaros, sinos no fundo e reverberações mil. Um álbum incrível de um cara que merece mais reconhecimento.

Músicas recomendadas: Up a Tree (Went a Heart I Have) e Blood Red Sentimental Blues

08) The Ecstatic – Mos Def

Eu gostava muito de rap quando mais novo. Muito por influência da minha irmã, que ouvia Tupac na sua adolescência, e meu irmão, com Coolio, eu sempre gostei daquele rap de gangsta, em que sons de metralhadoras e tiros faziam parte do ritmo. Justamente por isso eu fugi muito dessa onda hip-hop-black-parceria-com-nelly-furtado-e-timbaland que assolou a música negra americana na última década. E continuaria sem ouvir tranquilamente se não fosse pelo fato de Mos Def (um cara que eu acho foda em todos os sentidos desde “O guia do mochileiro das galáxias”) ter lançado um novo álbum depois de um tempo afastado dos microfones. The Ecstatic é uma obra prima do rap do começo ao fim, com influências que vão da música espanhola a árabe, com letras poderosas e geniais sobre o mundo em que hoje vivemos.

Músicas recomendadas: Supermagic e No Hay Nada Mas.

07) It’s not me, it’s you – Lily Allen*

Ela é fofa, chata e por muito pouco não foi comer no Huang. Esse ano a inglesinha deu o que falar: anunciou aposentadoria, reclamou do compartilhamento de músicas num surto 1999 e fez um dos melhores álbuns do ano. Gostoso de ouvir do começo ao fim, “It’s not me, it’s you” é um baita álbum que mostra como Lily Allen é vale a pena prestar atenção quando resolve fazer aquilo que sabe.

Músicas recomendadas: It’s Not Fair e 22.

* link em Torrent, porque eu não consegui achar em nenhum site. Se acharem, mandem nos comentários, por favor.

06) Expressions – Music Go Music

Em meio a tantas músicas que beiram cada vez mais o minimalismo e o som ambiente, eis que surge nesse ano uma banda que consegue fazer com que voltamos a alegria sueca dos anos 70. Mais precisamente, a alegria do ABBA, uma das maiores bandas que já existiram no mundo (falo isso com certeza)! A vocalista Gala Bell misturou corinhos, cítaras, sinos, harpas e muito mais para trazer uma sonoridade cheio de texturas setentistas para o dia de hoje. O resultado é genial. Bote o play na música Light of Love para seu pai e sua mãe escutarem e eu tenho certeza que eles vão falar que já dançaram essa música e que hoje não se faz mais pop como antigamente.

Músicas recomendadas: Thousand Crazy Nights e Light of Love.

05) Wolfgang Amadeus Phoenix – Phoenix

Lançado em maio deste ano, mas vazado desde janeiro (bendita internet), este foi o álbum e banda que pirou a cabeça da galera moderna que ouve Oi FM. Mas não sem motivo. O quinto ábum de estúdio dos franceses é realmente bom. A capacidade das músicas do Phoenix de ficar na cabeça é tão impressionante quanto a capacidade de conseguir ouvir esse álbum em qualquer momento.É praticamente impossível você não ficar com it comes, it comes, it comes and goes de “Lisztomania” ou o hey, hey, hey, hey, hey de “1901″ na cabeça.

O único porém deste álbum, muito bem definido pelo Caju, é que dá uma sensação de que todas as músicas são parecidas. Mas vale muito a pena.

Músicas recomendadas: Lisztomania e Girlfriend.

04) Album – Girls

Christopher Owens nasceu em uma seita hippie-cristã nos anos 70, a Children of God (uma galera já saiu dessas bandas também). Lá, ele ficava afastado de músicas que não fizessem parte do culto e toda sua inspiração artística vinha de trilhas sonoras de filmes e séries de televisão. Quando adolescente, Owens fugiu e viveu nas ruas com sua irmã por um período, aonde virou um zé-droguinha de escala maior. Com uma puta sorte, ele acabou sendo acolhido por um milionário que o iniciou artisticamente.

E foi, com uma história maluca dessas, que beira o surrealismo, que Owens se uniu ao guitarrista Chet White e montou o álbum “Album”, com músicas do caralho que lembram um pouco a surf music americana dos anos 50 e a psicodelia dos Beach Boys. Inteiro bom, esse álbum tem várias músicas que valeriam como singles, repletos de sons que reverberam na mente.

Músicas recomendadas: Laura e Lust for Life.

03) Merryweather Post Pavillion – Animal Collective

Podem falar o que quiserem. Proposta, inaudível, chato pra caralho, mas eu acho Animal Collective foda e este último álbum (sem levar em conta o EP Fall Be Kind) só mostra o quanto que eles têm evoluído musicalmente. Se em seus primeiros cds, o coletivo de animais misturava um monte de ruídos e sons com alguns gritos que não faziam muito sentido a não ser em alguma instalação artística na Bienal, em Merryweather Post Pavillion as letras de Panda Bear e Avey Tare estão impressionantemente lindas e os samples do Geologist são pura explosão sonora. Bronze com certeza.

Música recomendada: In the Flowers e Brothersport.

02) Them Crooked Vultures – Them Crooked Vultures

Dave Grohl, John Paul Jones e Josh Homme. O nome dessas três pessoas juntas em um mesmo álbum já diz muito do que se é esperado. A bateria raivosa de Dave Grohl, o acompanhamento em baixo que só JPJ saberia fazer e a guitarra e composições do monstro Josh Homme fazem desse álbum uma obra-prima do primeiro ao último riff. O Them Crooked Vultures só abrilhanta a carreira destes músicos que trabalham ou trabalharam em bandas históricas do rock mundial (Nirvana, Foo Fighters, Led Zeppelin, Queens of the Stone Age. É uma medalha de prata com gosto de ouro para este que é o álbum definitivo de rock do ano. Só digo que não levou a máxima pelo tempo de duração do álbum que, com 70 minutos, acaba não sendo aquele álbum que você fica no repeat por muito tempo.

Músicas recomendadas: New Fang e Bandoliers.

01) XX – The XX*

Pegue quatro inglesinhos (dois homens e duas mulheres) na casa de seus 20 anos e mandem eles fazerem música. Na esmagadora maioria das vezes sairia de um quarteto um rockzinho ao melhor estilo Arctic Monkeys que, na minha modesta opinião, anda saturando. No entanto, existem aquelas vezes em que esses muleques que mal saíram da adolescência resolvem inovar e, ao invés de fazer uma música com guitarrinhas secas e roupas dos anos 70, fazem um som baixo, mínimo e incrivelmente forte. Todas as músicas do álbum valem destaque. The XX merece a ouro esse ano justamente pelo motivo que o mega-power-trio Them Crooked Vultures não levou: esse álbum é uma delícia de ouvir e na hora que você presta atenção, já ouviu ele cinco vezes seguidas e sabe todas as músicas de cor.

Músicas recomendadas: Crystalised e Shelter.

* link em Torrent, porque eu não consegui achar em nenhum site. Se acharem, mandem nos comentários, por favor.

Enfim, é isso.

Hasta!

Voltamos já.

O nosso tempo anda fazendo mais ou menos isso com a gente:

mano

Mas já já a gente está de volta.

Abs.

Enjoy The Week #06

Amigos, esta semana trago mais uma lista especial. Mais do que especial, ela tem um gostinho de jabaculê, mas isso é uma grande calúnia que fere o meu caráter. A ETW desta semana traz uma compilação com os artistas que irão causar no Playcenter neste sábado, no Planeta Terra 2009.

São muitos artistas pra fazer pirar qualquer cabeça sedenta por modernidade líquida. O power-trio-instrumental-brasileiro-proposta Macaco Bong vai abrir essa brincadeira toda no cenário principal. Após eles, uma suruba de estilos e gostos entrará no palco principal: a começar pela galera que toma chá com Gorbachev, Móveis Coloniais de Acaju, seguido dos moderninhos do Maxïmo “com trema proposta” Park. Após essa brisa de jovialidade, vem a tríade renascentista: os experientes roqueiros do Primal Scream, da fodástica banda-mãe de todas  as bandas indies Sonic Youth e, para finalizar, o power yoga man Iggy Pop com os Stooges. Fechando o palco principal, teremos o DJ proposta Etienne de Crécy, com o seu palco monstruosamente lindo.

Já no palco “mais alternativo”, batizado de Coca-Cola Zero Stage, teremos uma seara de bandas moderninhas que já cairam, tão caindo, vão cair no gosto da galera da baixa Augusta. São elas, em ordem de apresentação: EX! (estreando no festival), Copacabana Club (parece o CSS, mas não é), Patrick Wolf (andrógino galês que faz um som pop com clássico do caralho), Metronomy (proposta electro-hype), Ting Tings (banda legal, mas que se ferrou por se apresentar no mesmo horário do Iggy Pop) o duo de DJs N.A.S.A e, fechando, Anthony Rother, outro DJ.

No lugar em que se promete ter mais RayBan Wayfarer por metro quadrado neste sábado, não vão faltar opções de diversão para a galera da baixa Augusta. Além  das atrações, os brinquedos do Playcenter estarão liberados para a galera vomitar.

O festival promete. Os shows prometem e a minha lista é a melhor forma de você, que acha Aviões do Forró uma novidade, não pagar de idiota e cantar umas musiquinhas neste show.

Tá esperando o quê? Clica na imagem aí.cover

1) Macaco Bong – Noise James

2) Móveis Coloniais de Acaju – Copacabana

3) Maxïmo Park – Girls Who Play Guitars

4) Copacabana Club – Just do It

5) Primal Scream – Rocks

6) Patrick Wolf – The Magic Position

7) Sonic Youth – Schizophrenia

8) Sonic Youth – What We Know

9) Metronomy – Radio Ladio

10) Iggy Pop & The Stooges – Raw Power

11) Iggy Pop – King of The Dogs

12) The Ting Tings – That’s Not My Name

13) N.A.S.A. – Gifted

14) Etienne de Crécy – Welcome

Hasta!

Infantilidade Adulta

Há muito tempo o Mera Doxa não mostra o quão intensa é a necessidade de escapismo do ser humano à medida que as grandes corporações tornam-se mais lucrativas. Enquanto na França, país da introspecção e da reflexão filosófica, isso tem se manifestado em suicídios, no Brasil e em outros locais onde a ignorância domina, um dos principais indicadores do sufocamento contemporâneo é o chamado Adult Childhood. A pressão incessante e holística sofrida pelos adultos de nossa época elevam consideravelmente a vontade de todos eles, ou de todos nós, de voltar a ser criança, tempo em que nós tinhamos permissão para fazer merda e alguém aparecia e limpava. Isso é indiscutível. Mas como polemizaria o Cléber Machado, o Peter Pan, lançado em 1902, já mostrava que esse sentimento era latente há um bom tempo? Talvez, mas ninguém disse que a discussão é pontual. Pode até ser estrutural, mas o que vale a pena evidenciar é que a tecnologia tem tornado a experiência infantil cada vez mais realista para os marmanjos, e é aí que mora o perigo. Desde os tradicionais balanços, cada dia mais seguros e resistentes, até os consoles de videogame, que tem conquistado mais e mais adultos mundo a fora, artefatos variados têm funcionado como uma ponte à infantilidade.

A gente se vê por aí.

Campeonato Brasileiro Sub-40

Antes de mais nada, este post se ausenta de punch lines. Nada de Zidane na Briosa, fulaninho no América ou sicrano no Rio Branco de Americana. Essa piada é pronta e sem graça, do mesmo nível de misturar esportes olímpicos com o tráfico no Rio 2016 e o avião da Air France caindo na ilha de Lost.

Vamos falar sério: para o amante do futebol, Vieri no Botafogo-SP é a notícia do ano. Isso vale mais que qualquer bilhão do pré-sal, escolha de presidenciáveis, Nobel pra Obama etc. Só a tal história de São Januário receber os jogos de rúgbi das Olimpíadas chega perto de tamanha relevância. E se o boato da chegada do lateral Coco se confirmar, começo a contar os dias para o Paulistão 2010. Como o Nico resumiu brilhantemente, “é o Botafogo brincando de Elifoot”.

vieribotafogo

Falando em Elifoot, em um panorama econômico onde Brasil e potência viraram sinônimos, está na hora do futebol brasileiro abraçar alguma causa que fuja do esteriótipo devastador de campeonatos locais de “país exportador de talentos”. E essa causa, como Ronaldo (34) já provou e Petkovic (37) autenticou em cartório,  pode ser a de “importador de ex-grandes astros internacionais”. Brasil, tá na hora de virar o celeiro do SUB-40 internacional e, antes que baixe algum seguidor da doutrina de Mauro Cezar Pereira nos comentários, isso não é ruim. Não é confirmar um complexo de vira-lata, mas aproveitar uma oportunidade de conquistar lucros financeiros a curto prazo e garantir alegrias para torcida (mesmo que só antes dos jogadores entrarem em campo).

Um bom exemplo é o Kluivert (33).  Todo mundo que passou tardes em 98 no melhor game de estratégias da história sabe o que ele representa. Pois bem,  o holandês se aposentou no Lille, clube que já está dando pistas de luta contra o rebaixamento no, sempre chato, campeonato Francês desta temporada. Agora sãopaulino, flamenguista, palmeirense, atleticano, ou companheiro botafoguense (do Rio) pense o que seria Kluivert no seu ataque.  Só de imaginar me arrepio… Lúcio Flávio, Batista, André Lima, Jobson e Kluivert, lágrimas me vem aos  olhos.

patrick-kluivert

Não seria um ótimo parceiro do Carlinhos Bala?

É tirar o cara da aposentadoria e transformá-lo no carro-chefe do Brasileirão. Ao lado de Ronaldo e D´alessandro, ser sua maior estrela. E não me venha com esse papo de “não tem dinheiro”. Leandro Amaral está parado no Fluminense há tempos, mas mesmo assim continua ganhando R$ 280 mil todo santo mês. Dá pra se esforçar e trazer um cara desses ainda com a ajuda da sempre cabal justificativa de “jogada de marketing”. Afinal o rapaz iria vender muito mais camisa e levar muito mais gente ao estádio do que Leandro.

Isso sem falar de Okocha, Sol Campbell, Lizarazu, Trezeguet, Overmars e cia. limitada. Dirigentes, transformem isso aqui no berço esplêndido de quem dava alegria em 2001. Se o Santa Cruz pode ter desfilando em seu gramado Vieri, em um campeonato que nem é o mais importante do país, o Aflitos merece o Figo.  Sem mais, aquele abraço.

PagoDados

PagoDados é um instituto abalizado de pesquisas que procura o correto censo sobre dúvidas de amplitude nacional trazidas pelo cancioneiro mela-cueca do pagode ternura ou de cunho fanfarrão de outras vertentes noventistas:

Para maiores informações, acesse o site do instituto.

Dica do Manoel Netto.

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  • Eu pagaria uns 800 reais nessa camiseta Admiral Jorge V Ben: http://tinyurl.com/ybcneue 38 minutes ago
  • Futebol Moleque é uma das expressões mais idiotas que existem no ludopédio. 4 hours ago
  • El Loco pedindo Rebolation, Tyson na dança dos famosos, Mc Lanche Feliz com a Turma do Chaves. As coisas estão indo pro lado certo. 5 hours ago

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  • Quando não precisa mexer no título dos filmes mexem, quando precisa, não mexem. Crazy Heart ficou Coração Louco. Vai vendo. 10 hours ago
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