Fim de ano chegando e milhões de sites começam a fazer listas e mais listas com o que achou de mais relevante neste ano: os melhores eletrônicos, as maiores tendências fashion, os carros do ano, …enfim, tudo vira motivo para se fazer uma lista. Eu, que não sou criativo diferente, resolvi também montar uma dos melhores álbuns do ano, que supera a de qualquer sitezinho musical proposta e paunocu (apesar de uma incrível semelhança na escolha de álbuns com estes sites, prefiro criticá-los). Para baixar estes álbuns, é só clicar nas capas deles. Vamos a ela:
10) Phrazes for the young – Julian Casablancas*
Esse é o pior do ano? Não. É o melhor? Também não. Ele merece estar nesta lista? Talvez. É uma questão pontual, mas também é estrutural.
Músicas recomendadas: 11th Dimension e Left & Right in the Dark.
* link em Torrent, porque eu não consegui achar em nenhum site. Se acharem, mandem nos comentários, por favor.
09) Paranoid Cocoon – Cotton Jones
Foi paixão a primeira ouvida. Tava lá, no começo do ano, procurando alguma banda nova e me veio o single Original Bones, de um tal de Cotton Jones. Gostei do nome da música e do cantor e resolvi verificar. Música sensacional, cheio de reverberações e uma letra irônica do caralho. Comecei a procurar o álbum e, depois de muito procurar, consegui achar. O álbum inteiro é genial, com sons de pássaros, sinos no fundo e reverberações mil. Um álbum incrível de um cara que merece mais reconhecimento.
Músicas recomendadas: Up a Tree (Went a Heart I Have) e Blood Red Sentimental Blues
08) The Ecstatic – Mos Def
Eu gostava muito de rap quando mais novo. Muito por influência da minha irmã, que ouvia Tupac na sua adolescência, e meu irmão, com Coolio, eu sempre gostei daquele rap de gangsta, em que sons de metralhadoras e tiros faziam parte do ritmo. Justamente por isso eu fugi muito dessa onda hip-hop-black-parceria-com-nelly-furtado-e-timbaland que assolou a música negra americana na última década. E continuaria sem ouvir tranquilamente se não fosse pelo fato de Mos Def (um cara que eu acho foda em todos os sentidos desde “O guia do mochileiro das galáxias”) ter lançado um novo álbum depois de um tempo afastado dos microfones. The Ecstatic é uma obra prima do rap do começo ao fim, com influências que vão da música espanhola a árabe, com letras poderosas e geniais sobre o mundo em que hoje vivemos.
Músicas recomendadas: Supermagic e No Hay Nada Mas.
07) It’s not me, it’s you – Lily Allen*
Ela é fofa, chata e por muito pouco não foi comer no Huang. Esse ano a inglesinha deu o que falar: anunciou aposentadoria, reclamou do compartilhamento de músicas num surto 1999 e fez um dos melhores álbuns do ano. Gostoso de ouvir do começo ao fim, “It’s not me, it’s you” é um baita álbum que mostra como Lily Allen é vale a pena prestar atenção quando resolve fazer aquilo que sabe.
Músicas recomendadas: It’s Not Fair e 22.
* link em Torrent, porque eu não consegui achar em nenhum site. Se acharem, mandem nos comentários, por favor.
06) Expressions – Music Go Music
Em meio a tantas músicas que beiram cada vez mais o minimalismo e o som ambiente, eis que surge nesse ano uma banda que consegue fazer com que voltamos a alegria sueca dos anos 70. Mais precisamente, a alegria do ABBA, uma das maiores bandas que já existiram no mundo (falo isso com certeza)! A vocalista Gala Bell misturou corinhos, cítaras, sinos, harpas e muito mais para trazer uma sonoridade cheio de texturas setentistas para o dia de hoje. O resultado é genial. Bote o play na música Light of Love para seu pai e sua mãe escutarem e eu tenho certeza que eles vão falar que já dançaram essa música e que hoje não se faz mais pop como antigamente.
Músicas recomendadas: Thousand Crazy Nights e Light of Love.
05) Wolfgang Amadeus Phoenix – Phoenix
Lançado em maio deste ano, mas vazado desde janeiro (bendita internet), este foi o álbum e banda que pirou a cabeça da galera moderna que ouve Oi FM. Mas não sem motivo. O quinto ábum de estúdio dos franceses é realmente bom. A capacidade das músicas do Phoenix de ficar na cabeça é tão impressionante quanto a capacidade de conseguir ouvir esse álbum em qualquer momento.É praticamente impossível você não ficar com it comes, it comes, it comes and goes de “Lisztomania” ou o hey, hey, hey, hey, hey de “1901″ na cabeça.
O único porém deste álbum, muito bem definido pelo Caju, é que dá uma sensação de que todas as músicas são parecidas. Mas vale muito a pena.
Músicas recomendadas: Lisztomania e Girlfriend.
04) Album – Girls
Christopher Owens nasceu em uma seita hippie-cristã nos anos 70, a Children of God (uma galera já saiu dessas bandas também). Lá, ele ficava afastado de músicas que não fizessem parte do culto e toda sua inspiração artística vinha de trilhas sonoras de filmes e séries de televisão. Quando adolescente, Owens fugiu e viveu nas ruas com sua irmã por um período, aonde virou um zé-droguinha de escala maior. Com uma puta sorte, ele acabou sendo acolhido por um milionário que o iniciou artisticamente.
E foi, com uma história maluca dessas, que beira o surrealismo, que Owens se uniu ao guitarrista Chet White e montou o álbum “Album”, com músicas do caralho que lembram um pouco a surf music americana dos anos 50 e a psicodelia dos Beach Boys. Inteiro bom, esse álbum tem várias músicas que valeriam como singles, repletos de sons que reverberam na mente.
Músicas recomendadas: Laura e Lust for Life.
03) Merryweather Post Pavillion – Animal Collective
Podem falar o que quiserem. Proposta, inaudível, chato pra caralho, mas eu acho Animal Collective foda e este último álbum (sem levar em conta o EP Fall Be Kind) só mostra o quanto que eles têm evoluído musicalmente. Se em seus primeiros cds, o coletivo de animais misturava um monte de ruídos e sons com alguns gritos que não faziam muito sentido a não ser em alguma instalação artística na Bienal, em Merryweather Post Pavillion as letras de Panda Bear e Avey Tare estão impressionantemente lindas e os samples do Geologist são pura explosão sonora. Bronze com certeza.
Música recomendada: In the Flowers e Brothersport.
02) Them Crooked Vultures – Them Crooked Vultures
Dave Grohl, John Paul Jones e Josh Homme. O nome dessas três pessoas juntas em um mesmo álbum já diz muito do que se é esperado. A bateria raivosa de Dave Grohl, o acompanhamento em baixo que só JPJ saberia fazer e a guitarra e composições do monstro Josh Homme fazem desse álbum uma obra-prima do primeiro ao último riff. O Them Crooked Vultures só abrilhanta a carreira destes músicos que trabalham ou trabalharam em bandas históricas do rock mundial (Nirvana, Foo Fighters, Led Zeppelin, Queens of the Stone Age. É uma medalha de prata com gosto de ouro para este que é o álbum definitivo de rock do ano. Só digo que não levou a máxima pelo tempo de duração do álbum que, com 70 minutos, acaba não sendo aquele álbum que você fica no repeat por muito tempo.
Músicas recomendadas: New Fang e Bandoliers.
01) XX – The XX*
Pegue quatro inglesinhos (dois homens e duas mulheres) na casa de seus 20 anos e mandem eles fazerem música. Na esmagadora maioria das vezes sairia de um quarteto um rockzinho ao melhor estilo Arctic Monkeys que, na minha modesta opinião, anda saturando. No entanto, existem aquelas vezes em que esses muleques que mal saíram da adolescência resolvem inovar e, ao invés de fazer uma música com guitarrinhas secas e roupas dos anos 70, fazem um som baixo, mínimo e incrivelmente forte. Todas as músicas do álbum valem destaque. The XX merece a ouro esse ano justamente pelo motivo que o mega-power-trio Them Crooked Vultures não levou: esse álbum é uma delícia de ouvir e na hora que você presta atenção, já ouviu ele cinco vezes seguidas e sabe todas as músicas de cor.
Músicas recomendadas: Crystalised e Shelter.
* link em Torrent, porque eu não consegui achar em nenhum site. Se acharem, mandem nos comentários, por favor.
Enfim, é isso.
Hasta!